Rodrigo Santiago

"Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal"

Diário
08/10/2008 13h14
Greve (?) dos bancários: Férias 2 vezes por ano

Querem saber? Meus direitos são defendidos pelo Sindicato dos Bancários... Não trabalho como bancário, mas sou empregado de um banco. Pra minha sorte ou meu azar... E agora o país acha que estamos em uma greve séria.

Tenho andado mau-humorado com as pessoas do meu país, e hoje vou falar o que penso sobre a classe trabalhadora da qual pertenço. Pra minha sorte ou meu azar:

É patético ver um cara do sindicato sozinho fazendo 'piquete' no prédio em que trabalho, que tem dois portões de acesso. Um homem que talvez acredite realmente na causa pela qual está lutando. Mas está lutando de maneira solitária, ridicularizando a si próprio.

Várias agências da cidade estão abertas, por falta de força sindical articulada que faça valer a vontade da maioria votada em assembléia, ante a pressão conhecida dos patrões, que por sua vez são pressionados por seus patrões, que... Muito cacique, pouco índio, mas isso é outra história.

Enquanto isso, os mauricinhos que votaram pela greve na assembléia estão nos clubes, em Caldas Novas, em Fortaleza, nos bares, ou dormindo até tarde. Colocando a monografia em dia, fazendo tratamento dentário. Bando de covardes, hipócritas, aproveitadores.

Eu não aderi a greve. É uma decisão pessoal, de foro íntimo. Não porque eu tenha um cargo de supervisão, que me deixa exposto a retaliações. Eu NUNCA fiz greve, mesmo quando trabalhava em agência como um Técnico Bancário que não tinha nada a perder, e odiava meu governo daquela época.

O fato é que nunca me importei de ficar trabalhando em dobro ou triplo, pra não deixar a peteca cair. Sempre fiz com orgulho e resignação as atividades dos colegas que estão em greve, afinal eles estavam na 'frente de batalha', lutando por direitos que também são meus. É uma troca justa, e a greve me parecia legítima.

Agora, vendo que ninguém participa das manifestações, dos piquetes, e nem mesmo das assembléias, em puro benefício de seus interesses pessoais, resolvi mudar de lado, de maneira radical e definitiva: sou contra essa greve picareta que está acontecendo, e desejo sinceramente que os bancos descontem cada dia não trabalhado do bolso de cada um grevista-fajuto.

Não quero permanecer por mais dias fazendo o papel de otário de trabalhar arduamente, sobrecarregado, enquanto os folgados curtem o sol, a piscina, e tudo o mais que lhes agrada. Me sinto traído pela minha equipe, que deveria estar lutando lá fora por nossos direitos. Todos tinham meu aval e meu apoio. Não têm mais.

Fico imaginando como eu me sentiria abandonado e desmotivado se eu fosse um dos pouquíssimos bancários ou sindicalistas que resolveram 'vestir a camisa' da luta contra os banqueiros, pra valer. Minha vergonha e decepção seriam maiores.

E acho que aqui encerro meus dias de desabafo e reclamações. Amanhã volto pra falar de assuntos mais divertidos, embora não menos angustiantes, como a luta do meu Fluzão contra o rebaixamento, por exemplo.


Publicado por Rodrigo da Silva Santiago em 08/10/2008 às 13h14

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